A Doença Degenerativa do Disco (DDD) é uma das principais causas de dor lombar crônica e incapacidade no mundo todo. Historicamente, nossos tratamentos variam do manejo conservador e controle da dor até cirurgias complexas, como a fusão espinhal. O grande desafio, no entanto, é que nenhuma dessas abordagens tradicionais reverte a degeneração molecular que ocorre no disco.
Buscando preencher essa lacuna, a medicina regenerativa — em especial a terapia com células-tronco — temsurgido como uma alternativa promissora para restaurar a biologia discal.
Para entender o real impacto dessa tecnologia, conduzi, como autor principal, tendo acolaboração de outros pesquisadores brasileiros e cirurgiões da Universidade de Saint Louis (EUA), uma revisão sistemática publicada recentemente no North American Spine Society Journal (NASSJ). Avaliamos décadas de evidências pré-clínicas e estudos clínicos em humanos para mapear o cenário atual.

Aqui estão as nossas principais descobertas:
• Resultados Promissores em Laboratório: Em modelos pré-clínicos (animais), o uso de células-tronco demonstrou uma regeneração muito expressiva, incluindo a restauração da altura do disco e a recuperação da matriz extracelular.
• A Realidade na Prática Clínica: Em humanos, os resultados exigem cautela. Os ensaios clínicos mostram que os pacientes experimentam melhoras modestas, porém estatisticamente significativas, na dor e na função. Contudo, os exames de imagem atuais ainda não fornecem provas contundentes de um verdadeiro reparo estrutural e
biológico no disco humano.
• Perfil de Segurança: Um ponto altamente positivo é que a terapia se mostrou segura a curto e médio prazo, com aceitabilidade clínica satisfatória.
O Desafio do Futuro
Por que o disco humano é tão difícil de regenerar? A resposta está no seu microambiente. O interior de um disco degenerado é avascular (sem suprimento sanguíneo) e altamente inóspito, o que dificulta a sobrevivência e a ação das células-tronco injetadas.
Nossa pesquisa conclui que o simples “transplante celular” não será suficiente. O futuro da regeneração discal dependerá de estratégias avançadas para melhorar o ambiente do disco, como o uso de biossensores, sistemas de entrega assistidos por biomateriais, exossomos e até tecnologias de edição genética.
A ciência está avançando a passos largos, e sigo engajado em trazer o que há de mais seguro e moderno para o tratamento da sua coluna.
Link para o artigo original em inglês disponível sob solicitação:
Stem cell therapy for degenerative disc disease: A systematic review of preclinical evidence,
clinical translation, and future directions – PubMed
Fonte:
– Ferraz VR, Goulart CR, de Souza MFRFF, Furlan MOCS, Mercier P, Mattei TA. Stem cell
therapy for degenerative disc disease: A systematic review of preclinical evidence, clinical
translation, and future directions. N Am Spine Soc J. 2025 Dec 19;25:100841. doi:
10.1016/j.xnsj.2025.100841. PMID: 41608524; PMCID: PMC12835428


