A espondilolistese é classificada de várias maneiras, com base na etiologia, no grau de deslizamento e em parâmetros radiográficos e clínicos. As principais classificações incluem:
Classificação de Meyerding:
O médico ortopedista Henry William Meyerding, da Mayo Clinic (Minnesota/USA), nasceu em 05 de setembro de 1884 em St. Paul/Minnesota, e em 1938 idealizou um sistema de classificação de espondilolistese baseado na porcentagem de deslizamento de uma vértebra em relação à outra. Esta classificação tem como base radiografias laterais da coluna em posição neutra. Os graus são definidos da seguinte forma:
• Grau I: 0% a 25% de deslizamento.
• Grau II: 25% a 50% de deslizamento.
• Grau III: 50% a 75% de deslizamento.
• Grau IV: 75% a 100% de deslizamento.
• Grau V: Deslizamento maior que 100% (espondiloptose)
Os graus I e II são considerados de baixo grau, enquanto os graus III a V são de alto grau.

Classificação de Wiltse-Newman-Macnab:
Em 1976 Wiltse e colaboradores descreveram um sistema de classificação baseado na causa da espondilolistese, essa classificação inclui cinco tipos (I, II, III, IV e V), sendo três subtipos do tipo II (a, b, c):
• Tipo I: Displásica. Resulta de anormalidades estruturais das articulações inter facetárias, como hipoplasia ou alterações de orientação.
• Tipo II: Ístmica. Resulta do defeito da pars interarticularis (subtipos A – Lítica, B – Alongamento da pars, e C – Fratura aguda)
• Tipo III: Degenerativa.
• Tipo IV: Traumática. Resulta de fratura traumática dos elementos posteriores, exceto a pars interarticularis.
• Tipo V: Patológica. Geralmente causada por destruição tumoral.

Classificação de Marchetti e Bartolozzi:
Em 1982 Marchetti e Bartolozzi propuseram uma classificação que diferencia em tipos de listese de desenvolvimento e adquiridos. Nesta classificação, os tipos I e II de Wiltse são agrupados juntos como alterações de desenvolvimento. As causas degenerativas, patológicas e traumáticas são agrupadas na categoria adquirida.
Classificação do Spinal Deformity Study Group (SDSG):
Esta classificação considera o grau de deslizamento, a incidência pélvica e o alinhamento sacropélvico e espinhal. Primeiro, determina-se o grau de deslizamento, se baixo (Meyerding 1 ou 2) ou alto grau (Meyerding 3 ou 4). Em seguida se faz a medida dos parâmetros sacropélvicos, como SS, PT e PI.
Na espondilolistese de baixo grau (Meyerding 1 e 2), 3 subgrupos são divididos baseados no valor de PI (incidência pélvica):
– Grupo I: PI <45º;
– Grupo II: PI entre 45 e 60º;
– Grupo III: PI >60º.
Na espondilolistese de alto grau (Meyerding 3 e 4 ) ) também são subdividos 3 grupos:
– Grupo IV: pelve balanceada;
– Grupo V: pelve retrovertida, coluna alinhada;
– Grupo VI: pelve retrovertida, coluna desalinhada.

Outras classificações:
Além das classificações descritas anteriormente existem outras tentativas de descrição das espondilolisteses, como a classificação de Mac-Thiong e Labelle, e ainda a classificação CARDS (Clinical and Radiographic Degenerative Spondylolisthesis).
Mac-Thiong e Labelle propuseram um sistema de classificação que incorporou o conceito do equilíbrio espinopélvico e equilíbrio sagital para ajudar a orientar o planejamento cirúrgico. Mais tarde a classificação SDSG incorporou e modificou esta classificação.
Já a classificação CARDS é específica para espondilolistese degenerativa e considera a altura do espaço discal, o alinhamento sagital e a presença de dor nas pernas:
• Tipo A: Colapso avançado do espaço discal sem cifose
• Tipo B: Disco parcialmente preservado com translação de 5 mm ou menos
• Tipo C: Disco parcialmente preservado com translação de mais de 5 mm
• Tipo D: Alinhamento cifótico
Modificadores de dor nas pernas: 0 (sem dor), 1 (dor unilateral), 2 (dor bilateral).
Essas classificações são utilizadas para orientar o manejo clínico e as decisões terapêuticas, considerando a etiologia, a gravidade do deslizamento e os parâmetros radiográficos e clínicos associados.

Referências bibliográficas:
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