Fraturas da Coluna Toracolombar

O que são fraturas da coluna?

As fraturas da coluna vertebral são lesões relativamente comuns, com aproximadamente 1.000.000 de novos casos anualmente nos EUA. Dentre essas fraturas a maioria está localizada na coluna torácica ou lombar, e 75 a 90% estão na junção toracolombar. As lesões da coluna toracolombar são geralmente o resultado de um trauma fechado de alta energia; 65% das fraturas toracolombares ocorrem em acidentes automobilísticos ou em quedas de altura.

Acidentes automobilísticos são causas frequentes de traumatismos na coluna

O que são fraturas da coluna da região toracolombar?

São fraturas que acontecem nas vértebras da coluna torácica (12 vértebras) e/ou nas da coluna lombar (5 vértebras). Entre as fraturas toracolombares 50 a 60% acometem a região entre T11 e L2, 25 a 40% ocorrem na coluna torácica acima de T11 e entre 10 e 14% envolvem a coluna lombar inferior (abaixo de L2) e o sacro. Fraturas traumáticas da região toracolombar são mais comuns em homens e o pico de incidência é observado em adultos entre 20 e 40 anos de idade.
Vale lembrar que muitas vezes as fraturas da coluna toracolombar, principalmente as fraturas por compressão, resultam de um osso mais frágil, a osteoporose (enfraquecimento do tecido ósseo), e apresentam um mecanismo de lesão geralmente por traumatismos de baixa energia, como quedas e escorregões. Nesses casos as fraturas acometem mais as mulheres e com idade mais avançada, após a menopausa. Ainda existem as fraturas por compressão resultantes de tumores na coluna.

Quedas são frequentemente causas de fraturas em pacientes portadores de osteoporose

Por que fraturas na região da coluna toracolombar são comuns?

Primeiro porque essas duas regiões somadas compreendem a maioria das vértebras de toda a coluna (total de 17 vértebras). Segundo porque biomecanicamente a junção toracolombar, situada entre a coluna torácica (rígida) e a coluna lombar (móvel), é mais suscetível a lesões traumáticas. Cerca de 50% destas lesões são instáveis e podem resultar aos pacientes em incapacidade significativa, deformidade e deficiência neurológica.

Quais exames devo fazer para diagnosticar fraturas na coluna?

Diferentes exames de imagem podem ser realizados no intuito de se diagnosticarem lesões e fraturas na coluna, cada um com suas vantagens e limitações, sendo os principais:
⦁ Radiografias (raiox convencional);
⦁ Tomografia computadorizada (TC);
⦁ Ressonância magnética (RM).

Ressonância de paciente com múltiplas fraturas em coluna toracolombar

Há relação das fraturas traumáticas de coluna com outras lesões?

Nas fraturas causadas por acidentes em alta velocidade existe comumente associação com outras lesões, como fraturas de costelas, pneumo-hemotórax, lesão visceral abdominal e até ruptura diafragmática. Embora fraturas da coluna torácica estejam associadas a fraturas de costela e danos intratorácicos, as lesões causadas pelo impacto no cinto de segurança e lesões por flexodistração estão frequentemente associadas a lesões intra-abdominais viscerais. Fraturas de ossos longos e traumatismo cranioencefálico também são comumente associados com as fraturas de coluna. Assim, uma boa avaliação seguindo os protocolos de atendimento do ATLS (Advanced Trauma Life Support) deve ser realizada para o melhor tratamento do paciente vítima de politraumatismo.

Atendimento hospitalar ao paciente vítima de politraumatismo

Como são classificadas as fraturas da coluna toracolombar?

Devido à frequência e potencial gravidade dessas lesões um esquema de classificação descritivo e útil na determinação do tratamento apropriado é imprescindível. Historicamente os esquemas de classificação podem ser agrupados em classificações mecânicas ou classificações morfológicas. Dentre os esquemas morfológicos, a classificação proposta pelo professor Fritz Magerl se baseia na classificação AO (Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen) para fraturas de extremidades. As fraturas são agrupadas em três categorias de acordo com os mecanismos de lesão: compressão, distração e translação.

Professor Fritz (Friedrich) Magerl

O “Thoracolumbar Injury Classification and Severity Score” (TLICS), originalmente descrito em 2005, foi desenvolvido para suprir as deficiências das classificações anteriores e simplificando as descrições das fraturas da coluna vertebral na tentativa de orientar as decisões de tratamento. Este sistema de classificação categoriza as fraturas da coluna vertebral com base na morfologia objetiva da fratura, a existência de lesão neurológica e a presença de lesão do complexo ligamentar posterior (CLP).
Apesar de seu sucesso e uso disseminado no mundo todo a classificação TLICS não está isenta de falhas, como a possibilidade em fornecer recomendações definitivas de tratamento para várias configurações de fratura em explosão com possível lesão do CLP.
Mais recentemente a AOSpine desenvolveu um modelo híbrido entre as classificações TLICS e Magerl para fraturas da coluna toracolombar, somando as características de ambos os esquemas. Fornece uma descrição detalhada e simplificada da morfologia da fratura, baseada no que foi descrito anteriormente por Magerl. Além disso, incorpora o estado neurológico do paciente e a integridade do CLP no conjunto da classificação, semelhante ao sistema TLICS e útil na decisão clínica do tratamento.
Resumidamente a classificação AOSpine subdivide as fraturas toracolombares em A (lesões por compressão), B (lesões ligamentares, distração) e C (lesões com translação, listese), também classifica o status neurológico do paciente em N0, 1, 2, 3, 4 ou X. E finalmente adiciona alguns modificadores clínicos, sinalizados com a letra M.

Sistema AOSpine para classificação de fraturas toracolombares

Como são tratadas as fraturas da coluna toracolombar?

O tratamento para essas fraturas inclui desde o tratamento clínico não cirúrgico, com reabilitação, repouso, uso de medicação analgésica, fisioterapia, fortalecimento muscular, uso de coletes em alguns casos, até cirurgias para correção e estabilização da coluna fraturada.
Um fator que se deve levar em conta quando se analisam as possíveis opções para tratamento de fraturas na coluna toracolombar é a capacidade da coluna vertebral em manter sua integridade frente a uma carga por ela exigida e a qualidade e resistência do tecido ósseo, que podem ser gravemente afetadas pela osteoporose/osteopenia. Como a média de idade dos pacientes vítimas de trauma raquimedular tem aumentado isto se torna um dos fatores que contribuem para a imprevisibilidade da evolução das fraturas traumáticas.
Caso a cirurgia para correção da fratura esteja indicada, alguns objetivos devem ser buscados com o procedimento: restauração da anatomia com a menor perda funcional possível, mobilização precoce do paciente, preservação da integridade do tecido nervoso, descompressão de estruturas neurais caso necessário.
Várias técnicas cirúrgicas foram desenvolvidas para tratar fraturas na coluna toracolombar. Em geral, três modalidades têm sido mais comumente utilizadas:
⦁ Estabilização anterior;
⦁ Estabilização posterior;
⦁ Estabilização circunferencial (anterior e posterior combinadas).
No Brasil tem destaque nas últimas décadas o uso da estabilização posterior aberta com uso de parafusos pediculares. Durante a última década houve um progresso importante em técnicas desenvolvidas para minimizar o efeito do dano cirúrgico em pacientes com lesões na coluna. Esses avanços têm grandes implicações para o tratamento tanto dos pacientes vítimas de politraumatismos de alta energia quanto aqueles que sofrem fraturas por mecanismos de baixa energia em vértebras com alguma doença prévia (osteoporose, tumores). Essas novas técnicas devem fazer parte na decisão entre a escolha do tipo de tratamento, entre o cirúrgico e opções de tratamento não cirúrgico. Três modalidades merecem destaque: colocação de parafusos pediculares e hastes através da pele (por via percutânea, com cortes pequenos na pele), abordagens anteriores minimamente invasivas (uso de próteses “cages” por pequenas vias de acesso) e o uso de cimentos cirúrgicos dentro do corpo vertebral (cifoplastia, osteoplastia e vertebroplastia).

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